FAIXAS DO DISCO











SAMBA CRIA LEI
Carlinhos Brown

Samba cria lei
Samba cria lei, samba
Samba cria lei, samba
Samba cria lei, samba

Cumbuca que me cutuca com vara curta
Sem me consultar, sem me consultar
Açúcar que hora vai no Morro da Urca
Vem me convidar, vem me convidar
Debruça no meu cangote em água brusca
Meu sapato já furou, minha roupa já rasgou
Grito pra ser bonito
Não sou subimisso
Enguiço misturado com feitiço
Vejo tudo do alto e quem pede socorro
É vizinho do Cristo

É fruta no olho do faminto que furta
Gentil desculpar, gentil desculpar
Açúcar que hora vai no Morro da Urca
Vem me convidar, vem me convidar
Debruça no meu cangote em água brusca
Fora o saldo devedor
Fica-se devendo amor
Grito pra ser bonito
O carnaval que salva
Salva a sua, salva a minha
Dona Marta o Rio chora
Sabe que o reino da Glória
É sambar com a Rocinha

NOVOS ALVOS
Mart'nália / Ana Costa / Zélia Duncan

Sempre chega um dia na vida
Chove um outro ponto de vista
Outra porta, outra esquina
Pra me encontrar

Por mais que eu perceba as saídas
Dúvidas são sempre bem-vindas
Estou esperando notícias
De outro lugar

Cansei de olhar
Espelhos de agora
Vou mirar novos alvos, me solta
Tempo que escorre agora e eu vou, eu vou
Cansei de olhar espelhos
Quer um olhar inteiro e vou
De outro lugar me vejo
E eu vou
Por outra saída eu vou…

Quem viver verá meus sonhos
Mudando todos os planos
E voltando pro mesmo lugar

COISAS SIMPLES
Claudio Jorge / Elton Medeiros
Participação Especial: Martinho da Vila

Eis que mais uma vez o amor
Mexe com o meu coração
Onde ainda está guardada a dor
Da última desilusão
Chega feita absolvição
Que nem indulto de um rei
Que me liberta na canção
As rimas de amor e flor
Que eu sei

Como é bom viver esse momento
Onde tudo é motivo pra sonhar
Um beijo, um abraço, um olhar
Um chopp, um bom papo e o luar
São coisas simples que a paixão
Vem pra valorizar

BATENDO PERNA
Ana Costa / Jorge Agrião

Sem essa do tempo
Querer me assustar
Quando o medo bate, fica
Hoje sigo em frente com esperança
Quem é costa quente,
Nem tudo alcança

Companheira das andanças
Ela sempre me fortifica
Na estrada me lança
Pra outra conquista
Juntos vamos caminhar (sem olhar pra trás)
A dona esperança
Já deu outra pista
Que é pra eu não vacilar

Já bati de frente
Perdi e ganhei
Também teve gente
Que incomodei
Mas de mão beijada
Juro ganhei nada
Por qualquer parada eu não me curvei

Por isso tô batendo perna
Tô batendo perna
Tô batendo perna
CRÔNICA DE UMA CIDADE ARMADA
Celso Fonseca

E fez-se o medo
Ouviu-se um canto
Por toda a parte
Aprisionado
E foi-se embora toda inocência
Perdeu-se a graça
Fechou o tempo
Por toda a cidade agoniza um samba triste
E esse lamento ecoa nas suas montanhas
Dá volta na imagem do Cristo no Corcovado
Apaga a estrela que cai no firmamento
E fez-se o medo
Ouviu-se um canto
Por toda a parte
Aprisionado
E fez-se o medo
Ouviu-se um tiro
E o padroeiro crucificado
ALMAS GÊMEAS
Luiz Tatit
Participação Especial: Paulinho Moska

Se faço uma cara carente é melhor me mimar
Se tenho expressão de doente é melhor me curar
Se a minha cabeça está quente cê deve assoprar
E mesmo proposta indecente convém aceitar

Cê tem que cuidar
Cê tem que
Cê tem que evitar
Que a essa altura da vida eu despenque
Você me aparece sempre na hora certa
Você é a dependência que me liberta e conserta

Se estou com frio cê sabe o que é bom para aquecer
Se estou vazio cê vem preencher
Se desconfio cê fala de um jeito
Que eu volto a crer
Se me arrepio cê chega a tremer
Quando inicio você lá na frente
Põe fim, conclui!
Se sou vadio me substitui
Nunca uma dupla foi tão homogênea
Almas gêmeas!

Se faço uma cara de fome vem me alimentar
Se vivo morrendo de sede melhor me molhar
Se digo sempre a mesma coisa é bom concordar
Se penso em ir embora pra sempre é só me levar

Por onde cê for eu sigo
Não posso viver muito tempo sozinho comigo
Você é o chão seguro em que eu piso
Você é o que ainda resta no meu juízo
É isso
Se estou com frio cê sabe o que é bom para aquecer
Se estou vazio cê vem preencher
Se desconfio cê fala de um jeito
Que eu volto a crer
Se me arrepio cê chega a tremer
Quando inicio você lá na frente
Põe fim, conclui!
Se sou vadio me substitui
Nunca uma dupla foi tão homogênea
Almas gêmeas!
ANTIGA
Ana Costa / Zélia Duncan
Participação Especial: Leila Pinheiro

Às vezes fico antiga
Meus olhos ficam íntimos da vida
Vejo as florestas como quem conheceu as sementes
Vejo os rios como quem bebeu nas nascentes
Aceito o tempo, me alimento
E aprendo alguma coisa
Gosto das idades
Das verdades
Que mudam com a cor dos cabelos
Dos reis plebeus de sangue vermelho
Gosto do que é humano
Do que é quase falha
Gosto do que abala a equação
Eu gosto de ouvir meu coração
ESTRANHO
Mario Lago Filho / Délcio Carvalho

Meu amor quando aparece
Rápido, súbito, límpido
Cheio de versos obscenos que parecem preces
O meu amor sinuoso cheio de si, engraçado
Se mostrando vaidoso ao objeto amado

Difícil
Meu amor que jamais entende
Sempre acaba em desamor
Mas cadê que aprende
E do conflito renasce
Um novo ser transparente
Que bonito é perceber o meu amor evidente
Que bonito é ver o amor presente
E VAI QUE DÁ
Marceu Vieira / Tuninho Galante

Pode até ser que não dê (que fazer?)
Pra vencer nem empatar
Mas eu vou jogar
Pode até ser que não dê para comer
Caviar nem fois gras
Mas vou me virar
Pode até ser que não dê para ter
O que cismo de querer
Mas eu vou sonhar
Pode até ser que não dê para correr
Mas pensando bem, pra que?!
Eu vou caminhar
Eu vou sem pressa de ir, chego lá
Vou… Vou pelos caminhos do mar
O bom de sonhar devagar
É que o sonho custa acabar
Pode até ser que não dê pra parar
De beber nem de fumar
Mas pra que tragar?
Pode até ser que não dê para esquecer de você
Sai, xô deprê
Não vou nem pensar
Pode até ser que não dê para ser lindo galã na TV
Mas vou me ajeitar
Pode até ser que não dê pra deter
A dor que não quer ceder
Mas eu vou tentar
Eu vou sem pressa de ir…

Pode até ser que não dê pra pagar
Não aguento mais dever
Mas vou parcelar
Pode até ser que não dê pra cantar "like a big pop star"
Mas vou me lançar
Pode até ser que não dê pra fazer o seu gelo derreter
Mas vou te esquentar
Pode até ser que não dê pra viver tudo antes de morrer
Mas… E vai que dá!!
Eu vou sem pressa de ir…
CADERNETA / A MINHA NEGA
Evandro Lima / Silvão Silva / Claudinho Guimarães
Participação Especial: Oswaldo Cavalo

Vai lá na tendinha e diz pro "galego" que a coisa tá preta
Que mande fiado e deixe anotado lá na caderneta
Sardinha em lata e um quilo daquela batata lavada
Em casa de pobre, sardinha e batata é bacalhoada!
E mande também cheiro verde, cebola e tomate
Eu pago no fim do mês com o dinheiro daquele biscate
Não vai ser a primeira, nem última vez
Diz pra ele, ô preta
Que cartão de crédito de pobre é a caderneta
Também diz pra ele, oh preta
Pra não errar na caneta
Que eu to derrubado, cambeta
Mas não aturo mutreta
Naquele "vai um" que as vezes "vão dois" a firma desmonta
Pode berimbolar, pode dar bafafá quando fechar a conta
A minha nega quer que eu mude de jurisdição
Sem bala perdida, sem fogo cruzado, sem pertubação
Antigamente quem morava longe era alvo de troça
Mas hoje em dia, meu bem
Morar bem é quem mora na roça
Fica distante do Cristo
Mas perto de Deus o que é ruim fica bom
Se compara, mas não chega aos pés
Em matéria de paz dá de dez no Leblon
A minha nega quer que eu mude de jurisdição
Sem bala perdida, sem fogo cruzado, sem pertubação
Já quitei um lote comprei sem entrada e sem prestação
Botei "dois garrotes, dezoito galinhas e um galo capão"
Alface, chicória e cebola, salsa e cebolinha tirada da horta
Pra fugir dessa guerra nem unha com terra essa nega se importa
QUÉ AMÁ MAMÃE
Martinho da Vila

Ê mamã eu qué amá
Ê papá sambá eu qué

Desfilar no astral
Lá da Sapucai
Corpo são quer sambar
Coração qué amá

Gatona fogosa vem logo esquentar o meu samba
Libertar o corpo e deixar sua alma voar
Gatinho dengoso me leva pro samba gostoso
E depois do pagode um chopinho lá na beira mar

Pra curtir
Conversar
Paquerar
Distrair
Namorar sem pensar...
E dar beijo na boca até ver estrelinhas no ar
Qué amá mamã